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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

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03.09.12

quando o corpo é um amontoado de destroços orgânicos


e o coração uma pedra de xisto romântica


entalada entre a montanha e o rio


à espera que desça a noite sobre os vinhedos desassossegados da manhã


 


quando o corpo se ergue para se abraçar na longínqua solidão


e o vento suave inventa bolhas de sabão


e palavras de amor


 


quando o rio se transforma em jardim


e as árvores vestem-se de pássaros


e nas ruas da cidade


constroem-se sonhos de meninos


 


(poema não revisto)


02.09.12

atravessávamos o espelho do amor


e com a tua mão entrelaçada na minha


viajávamos como crianças loucas


em direcção aos pontos de luz


 


brincávamos com os teus cabelos suspensos no topo das estrelas


e um silêncio lânguido crescia no coração de uma flor


vivíamos dentro de uma seara sem fronteiras


e éramos livres como os pássaros pintados no mural do esquecimento


 


os rios emagreciam


choravam


 


e longas filas de mel


adormeciam nas janelas da noite


os rios emagreciam


como emagrecem os meus sonhos


 


(e tenho a certeza que nunca irei abraçar-te).


01.09.12

Escolho a primeira pedra do amanhecer


e abdico do desejo a que tenho direito


deixaram de me interessar os desejos e os sonhos


escolho a primeira pedra do amanhecer


e espero que os pássaros na acácia madrugada


desçam para junto do mar


e que da terra vermelha


cresçam as migalhas de suor que alimentam as estrelas sem nome


 


sem terra


sem destino


sem amigos


apenas entre as pedras da calçada


ruas desertas nas esplanadas imaginadas por um solitário louco


e mendigos com uma sebenta na algibeira


e cigarros de enrolar com que escrevem palavras


na sebenta sem terra sem destino sem amigos....


 


(as estrelas sem nome)


 


escolho a primeira pedra do amanhecer


e acredito que um dia


regressarei aos teus braços embrulhados no mar


no mar sem terra sem destino e sem amigos


um mar só meu


um mar com barcos de brincar


e papagaios de papel no céu nocturno da solidão


antes do cacimbo adormecer nos teus ossos de silêncio infância.


 


(poema não revisto)

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