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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


31.08.11

A tua doce e meiga voz, despertar da manhã, quando abro a janela e te olho com as nuvens penduras nos lábios das oito horas, chuviscos poisam ao de leve na tua mão, gotinhas de água correm na tua pele finíssima de algodão, minha querida manhã, quando acordas e dentro de mim vive o silêncio, quando acordas e dentro de mim uma roldana pesadíssima e perra, e cambaleia nas tuas belas pétalas que brincam no céu,


 


Não, não querida manhã, não estou revoltado, não, também não sinto ódio, porque um poeta ama, e um poeta que ama não sente ódio, apenas triste, sim, querida manhã, sinto-me triste e cansado e ausente, não, não estou revoltado,


 


A tua doce e meiga voz, despertar da manhã, quando abro a janela e te olho com as nuvens penduras nos lábios das oito horas, e se estivesse revoltado, minha querida manhã, e se sentisse ódio, minha querida manhã, eu não amava, e amo e sou amado, e não amava as flores, e não amava os rios e o mar, e não amava Luanda, enão amava os machimbombos, e não amava as lindas paisagens do douro,


 


E hoje, minha querida manhã, hoje estás tão linda que nem me apetece levantar, apenas quero ficar semideitado a olhar-te, e compreender os pássaros que brincam nos teus braços,


 


É sempre assim quando acordo, olho-te e não me apetece levantar da cama, e se eu pudesse deixar de te olhar, e se eu pudesse nunca mais ver os teus braços e as tuas mãos, minha querida manhã, quando acordas e beijas o sol, e despedes-te da lua,


 


E rezo, à minha maneira, e rezo que me leves contigo, para longe, muito longe, onde a paisagens seja tenra e habite um rio ou o mar, e olho-te, querida manhã, e olho-te com o pensamento em Luanda, e vejo um miúdo de calções e sandálias e t-shirt, sorri, está feliz, e brinca na sombra das mangueiras…


 


(texto de ficção)


31.08.11

Quis o destino que em setembro de 2009 recebesse, anonimamente através do correio, documentos referentes à Câmara Municipal de Alijó onde alguém denunciava diversas práticas de corrupção na Autarquia (que só não os publico aqui porque não sei se existe investigação ou se estão em segredo de Justiça), e quis a Direção Regional de Vila Real do PCP (porque era militante do PCP) que eu os entregasse na Polícia Judiciária de Vila Real, e estupidamente fui entregá-los na companhia de um elemento pertencente ao Comité Central na altura (Sr. Mário Costa), estupidamente porque se fosse hoje, hoje não os entregava, hoje simplesmente destruía-os. Não acredito em coincidências, mas que as há, há.


 


E desde então, desde então muitas coincidências têm acontecido. Para uns, qualquer semelhança com a realidade é pura ficção, para outros, que são coisas da vida e da roda que não se cansa de girar, para mim, para mim são apenas coincidências.


 


Não acredito em coincidências, mas que as há, há.


 


E razão tinha o meu vizinho em Luanda; “Quem nesta casa entrar tem que ver, ouvir e calar”, frase inscrita num azulejo e que guardava religiosamente na parede da sala no Bairro Madame Berman, em Luanda, Angola.


 


Coincidências? Não acredito, mas que as há, há…


 


Primeira coincidência:


 


Inscrevi-me no Centro de Emprego de Vila Real, uns dias antes tinha entregado o meu currículo no escritório dos responsáveis pela construção da barragem Foz-Tua, na ficha de inscrição onde perguntavam a que cargo me candidatava respondi A TUDO, e coincidência estão a entrar pessoas com menos habilitações das que eu possuo. Coincidências?, Não, eu é que sou maluco.


 


Dados Pessoais:


- Estado Civil: Solteiro;


- Nacionalidade: Portuguesa;


- Idade: 45 anos;


- Naturalidade: Luanda/Angola;


- Carta de Condução;


Formação:


1989/1990 – Técnico de Desenho de Construção Civil; CICOPN


Curso de Formação Profissional


Habilitações Literárias:


- 12º Ano de Escolaridade, 1º curso via de ensino;


- Frequência Universitária (matriculado no 2º ano e inscrito a 90% das disciplinas do 3º ano de Engenharia Mecânica);


- Acção de Formação Teórico-Prático ao Método dos Elementos Finitos;


- Curso de Iniciação ao Matlab;


Experiência Profissional:


- 1990- 2000 – Desenhador de Construção Civil (AutoCad):


- 2001-2004 – Empregado de Escritório (António Luís Magalhães & Sobrinhos, LDA);


- 2004-2010 – Desenhador de Construção Civil;


Experiência Profissional Adicional:


- Conhecimentos de Cálculo de Estruturas (Programa Cype);


- Conhecimentos do Programa de Elementos Finitos (Ansys);


- Conhecimentos de Fortran;


- Experiência em hardware;


 


Segunda coincidência:


 


Desesperadamente e humilhantemente recorri ao Rendimento Social de Inserção, e senhores, nunca vi os serviços da Segurança Social de Vila Real serem tão rápidos, entreguei o pedido dia 23 de Agosto de 2011 em Alijó, e o ofício do indeferimento é datado de 26 de Agosto de 2011, e com o carimbo de saída dos serviços de 29 de Agosto de 2011 (06882211-08-29),


 


Motivo do indeferimento?


 


Simples: porque vivo de favor em casa dos meus pais, reformados, porque se não fossem eles vivia na rua, e o meu pai tem a reforma doirada de 379,04 €, e a minha mãe tem a reforma doirada de 279,79 €. E eu não recebo subsídio de desmprego.


 


Coincidências? Não, eu é que sou maluco.


 


E claro que tudo isto é o preço que estou a pagar por ter entregado os malditos documentos na Policia Judiciária de Vila Real.


Sei que nesta terra, sei que neste país, não adianta reclamar nem denunciar, e também sei que nunca mais vou conseguir nada em Alijó, principalmente a nível de trabalho, mas de uma coisa podem ter a certeza, estúpido e burro, não sou.


 


E prefiro ser fuzilado que me rebaixar a vossa excelência sua majestade…


31.08.11

Quando o orvalho se estatela na erva finíssima da madrugada, e caminho e caminho e caminho sem caminhar sobre a nortada, e fico indeciso, desistir ou continuar a caminhar, e caminho e caminho e caminho e não me serve de nada caminhar,


 


Desisto,


 


Desistir de sonhar, fingindo que caminho sem caminhar, quando o orvalho se estatela na erva finíssima da madrugada,


 


E o amanhecer ausente, e eu assisto,


Desistindo do acordar da manhã,


 


E caminho e caminho e caminho sem caminhar,


 


E fico indeciso,


Desistir ou continuar a caminhar,


 


Quando o orvalho se estatela na erva finíssima da madrugada…


31.08.11

Sentir


O que não sinto


Ter caído,


A fingir


Quando minto


Ter morrido,


 


E sentir


Não sentindo


Que pelo precipício vou caindo,


Levemente, suavemente, a sorrir…


 


Sentindo


Sem sentir


O vento que vai indo


E o mar a fugir.


31.08.11

Odeio as rosas


As palavras e as prosas


Odeio os livros e a literatura…


Odeio a ternura,


 


O silêncio quando cai


Sobre mim a noite que odeio


Odeio a dor que não sai


Não sai e não veio,


 


Odeio o céu e as estrelas e o mar


Odeio-me e não me canso de odiar


As palavras e a poesia


A literatura e a hipocrisia…


31.08.11


Infinitamente só,


 


Nas palavras que oiço


E deixo de perceber o significado,


Filho, pai, mãe,


Amor, amo-te,


 



Infinitamente só,


 


Nas palavras que oiço


Dos dias que caminham sem parar,


Só, infinitamente só,


Em palavras que se afogam no mar,


 



Infinitamente só,


 


Nas palavras que se despedem da madrugada


E me olham como se eu fosse um monstro marinho,


E de uma folha de papel amarrotada


As palavras que oiço enquanto caminho…


 



Infinitamente só!


31.08.11

Quando vivia em Luanda, o meu vizinho tinha pendurado na parede da sala um azulejo com a seguinte frase “Quem nesta casa entrar tem que ver, ouvir e calar”, e é verdade que nessa época não sabia ler, e ainda hoje não sei ler, mas esta estória foi-me repetidamente contada pela minha avó materna e posteriormente pela minha mãe, e sinceramente nunca percebi o significado do azulejo do senhor faustino que pendurava religiosamente na parede da sala no bairro Madame Berman, em Luanda, e finalmente, finalmente hoje percebi a razão do tão afamado azulejo,


 


“Quem nesta casa entrar tem que ver, ouvir e calar!,


 


Morri,


 


Um palerma qualquer corta-me a barba, e sempre detestei cortar a barba, começam a vestir-me um apaneleirado fato escuro com risquinhas brancas, e eu que sempre detestei fatos, e resmungo Estes tipos estão a fazer tudo ao contrário!, Não, não quero flores, de que me serve levar flores no meu enterro se já estou morto?, Missa?, Missa, não, não quero, nunca quis…, o palerma calça-me os sapatos, bicudos e de verniz, e começo em ais e uis, aleijam-me, resmungo com o palerma Oiça lá seu palerma, Eu nunca gostei de calçar sapatos novinhos em folha!, Gravata?, Não, não quero, e nunca usei!, e quando criança desejava ter um irmão mais velho que calçasse os primeiros dias os meus sapatos novinhos em folha e vestisse a primeira semana a minha roupa a estriar, e começo a sentir comichão, ou é alergia ao fato, ou é alergia à gravata, ou é alergia aos sapatos, e o palerma debruça-se sobre mim e diz-me Pode ser alergia ao caixão!, pois não sei mas já estou farto de estar deitado entre quatro tábuas de pinho, porque o pinho é mais baratinho,


 


Morri,


 


“Quem nesta casa entrar tem que ver, ouvir e calar!,


 


E era só o que me faltava, todas estas beatas em lágrimas, Suas putas, quando passavam por mim arreganhavam-me a dentadura e nas minhas costas, nas minhas costas Este gajo é um filho da puta…!, e agora com lágrimas de crocodilo?,


 


E faltava cá este, eu com os meus pensamentos, só faltava este com a caldeira da água benta, e tudo ao contrário, tudo ao contrário, sempre disse que não queria missa, padre, flores, pessoas a acompanharem-me, nada, porque não me fazem como fizeram ao Beethoven, Porquê?, o senhor padre ouve um pequenino murmúrio que saltita do caixão e pergunta-me Que tem o Beethoven?,


 


E eu respondo-lhe que o Beethoven quando entrou no cemitério apenas levava um cão a acompanhá-lo, Serio, diz-me o senhor padre, Sério, respondo-lhe eu,


 


Tão sério como eu estar neste momento aqui deitado e enrolado em quatro tábuas de pinho,


 


Morri,


 


E quando o palerma fecha as portadas do meu caixão grãozinhos de poeira se espalham pela sala onde me encontrava sepultado, e uma frase fica no ar, a boiar, a boiar, a boiar,


 


“Quem nesta casa entrar tem que ver, ouvir e calar!


 


(texto de ficção)


30.08.11

Sabes, minha querida, ontem sonhei que nas paisagens silabadas do douro cresciam sorrisos e malmequeres, e em cada socalco um menino brincava, caía a chuva miudinha no outono amarrotado, e minha querida, o outono ainda nem acordou, e o outono ainda embrulhado nos lençóis dos equinócios, às voltas e às voltas, e a roda não se cansa de girar, e no doirado do céu as lágrimas de videiras solitárias abraçadas ao sol docemente adormecido,


 


O rio perde-se nas curvas e contracurvas das encostas,


 


E um rabelo abraçado à manhã que acabava de acordar, e dentro do meu sonho, e dentro do meu sonho as paisagens silabadas do douro, e eu, e eu minha querida, eu estava lá, encostado à enxada que descansava sobre o xisto húmido da manhã, doía-me as costas, doía-me os braços, Se estou doente?, não, não minha querida, refiro-me ao sonho de ontem,


 


- E eu pergunto-me porque escrevo sobre o douro e as paisagens do douro, Porquê?, e eu pergunto-me porque escrevo sobre o rio douro, Porquê?, e respondo-me Não sei, não sei e não sei…


E se eu soubesse não me perguntava,


E não tenho saudades desta terra, nenhumas, e não tenho saudades desta terra, nenhumas, Tenho saudades de Angola, de Lisboa, do Tejo e dos cacilheiros,


E arrependo-me, e arrependo-me de quando cheguei a Lisboa em Setembro de 1971 não ter fugido aos meus pais e ficar a vaguear pelas ruas, e ficar a vaguear pelos quelhos, e ficar a vaguear pelo rio, e hoje, hoje possivelmente já se tinham esquecido de mim, possivelmente,


 


E voltando ao sonho, minha querida, voltando ao sonho a enxada termina o seu descanso e agarra-se-me às mãos enrugadas pela dor de subir e descer socalcos, pesa muito, e um líquido vermelho escorre-me das mãos, neste momento não consigo explicar-te porque o sonho foi ontem, mas tenho a certeza que o líquido que se derramava era salgado,


 


- Possivelmente, possivelmente hoje tinham-me esquecido, mas não esquecem, mas nunca esqueceram, e tudo tinha sido tão fácil se me tivesse perdido deles, e bastava aliviar a minha mãozinha durante a confusão, e hoje, hoje possivelmente já me tinham esquecido, e não esqueceram, e nunca me vão esquecer, ou talvez, se eu nem tivesse embarcado, que feliz eu era se tivesse ficado esquecido no Porto de Luanda, e olhava o céu, e olhava o mar,


 


Não sei, minha querida, talvez seja sangue, mas não importa, sangue, água, ácido sulfúrico, não importa, e as minhas mãos choram, têm lágrimas, gemem durante a noite, quando os sonhos entram em mim e me puxam para o infinito, e nas paisagens silabadas do douro cresciam sorrisos e malmequeres, e em cada socalco um menino brincava, caía a chuva miudinha no outono amarrotado…


 


(texto de ficção)


30.08.11

E que os dias se escondem nas sombras dos ponteiros de um relógio, desce suavemente o cortinado da noite, e no palco da vida começa o espetáculo, um texto inventado, personagens inventadas, cenários fictícios, e a vida resume-se a uma estória inventada, a vida enrolada nas manhãs junto ao abismo, um pássaro sorri, e no espetáculo da vida continua a chover, há nuvens, e a tempestade alicerça-se junto aos espetadores, tristes, impávidos, ausentes, e começa a noite,


 


Um poema é disparado contra a assistência, e sobre o palco, sobre o palco três cadeiras e uma mesa coxa, e numa das cadeiras está sentado Milan Kundera, sereno, e olha a assistência de frente, como em toda a sua vida, olhos nos olhos,


 


Recorda os tempos da antiga Checoslováquia, nascido em Brno, em 1929, e recorda, e de olhos nos olhos para a assistência recorda, quando foi demitido de professor no Instituto de Altos Estudos Cinematográficos, viu os seus livros proibidos, e o seu nome banido da lista telefónica, e acabaram por lhe vedar o acesso ao trabalho, e em 1975 fixa residência em França,


 


Da assistência alguém interrompe Milan Kundera, e o encenador da vida pega no copo de água poisado na mesa, mastiga os lábios e molha-os, e o espetador pergunta-lhe Como é possível ter isso acontecido?, Milan Kundera poisa o copo sobre a mesa, finca as mãos e responde-lhe É assim o palco da vida, meu amigo, é assim o palco da vida!,


 


E que os dias se escondem nas sombras dos ponteiros de um relógio, desce suavemente o cortinado da noite, e no palco da vida começa o espetáculo, um texto inventado, personagens inventadas, cenários fictícios, e nada é real, os atores que se deitam sobre a seara de trigo junto ao mar, o texto é folheado por um aprendiz de feiticeiro, e todas as personagens, e todas as personagens são engolidas pelo cansaço da maré,


 


O público aplaude, o público quer mais,


 


E o encenador da vida com as lágrimas nos olhos vê o seu rosto no espelho pendurado na parede do camarim, e pergunta-me, e pergunta-se, Terá valido a pena?, e puxo de um cigarro, e acendo-o, e quando o poiso sobre o cinzeiro, respondo-lhe Amigo, tudo na vida vale a pena…


 


E a vida resume-se a uma estória inventada, a vida enrolada nas manhãs junto ao abismo, um pássaro sorri, e no espetáculo da vida continua a chover, há nuvens, e a tempestade alicerça-se junto aos espetadores, tristes, impávidos, ausentes, e começa a noite,


 


Apagam-se as luzes do teatro da vida e o encenador adormece.


 


(texto de ficção)


30.08.11

Quando a árvore dos silêncios


Caminha sobre o mar


E em pétalas de sorriso


Voam as gaivotas até ao infinito,


 


E o vento as leva


E no vento se desfazem como pedacinhos de papel


Quando a árvore dos silêncios


Emagrece nas sombras da noite,


 


E uma mão afaga-me o rosto


Limpa-me as lágrimas de escuridão


E sinto que a árvore dos silêncios…


Corre e corre e corre sem parar,


 


Caminha sobre o mar!

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