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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


31.07.11

O velhote arcado na atmosfera com pedacinhos de algodão nos lábios, flor na lapela, sapatos desgovernados e com ar condicionado, calças em cortinado depois da disputa entre o REX e o NOQUI e o sol atravessava-lhe as pernas escuras das sombras da geada, era alérgico à água e todas as manhãs cantarolava melodicamente uma lengalenga que nunca percebi e nem queria perceber, e eu tinha todas as indicações de que ele era muito feliz, não cortava o cabelo nem desfazia a barba e misturavam-se-lhe junto ao peito onde trazia um rádio a pilhas que por falta de pagamento apenas rosnava ruídos inaudíveis e estranhos e que durante a noite assustavam as ratazanas que dormiam junto dele,


Conheci-o na minha adolescência quando eu ainda era eu, quando no céu habitavam estrelas durante a noite e de dia passeavam-se nuvens pela manhã,


O velhote de nome desconhecido e com os alforges atulhados de côdeas de pão há muito esquecidos nos confins das ruas e avenidas da povoação e que se o atirasse contra um pássaro, o pássaro tombava desfeito nas penas da tarde de tão duro era,


E recordo-me do parvalhão que uma altura atirou com um pedação de pão duríssimo contra o candeeiro da messe de sargentos e as lâmpadas em curto-circuito estatelavam-se nos cromados do pavimento, a desculpa pronta na língua que as lâmpadas rebentaram sozinhas, a confirmação do sargento eletricista e o parvalhão que era eu safo de mais um fim de semana em castigo,


O velhote pescava um pedacinho de pão do alforge e dentro da boca apenas dois ou três dentes que abanavam quando junto ao abrigo passava o comboio apressado e sem destino, e a côdea em satos de canguru acabava por esconder-se no alicerce de um dente e rebolava garganta abaixo,


O parvalhão acabava de apostar com os camaradas que partia uma resma de pratos na frente da dona civil que lhes infernizava a vida como se fossem sopeiras ou putas de cabaré, e está apostado diz um deles, e o parvalhão a seguir ao almoço e fingindo que retirava os pratos das mesas quando percebe que nas mãos uma pilha acabava de nascer começa em manobras de diversão, o corpo em rotações no acaso da sala de refeições, as botas em patins pelo mosaico, cai não cai, cai devagarinho e os pratos em migalhas, a dona civil aos gritos, ai os meus pratos, e o parvalhão sorria para a bananeira que dormia no centro da sala, um jarro de litro de cerveja já cá canta,


O velhote desparecido durante alguns dias preocupava-me e perguntava-me onde ele estaria, e descubro-o no interior do casebre entolhado em farrapos e misturado com a lama, o cheiro intenso a mijo, pedi ajuda e já no hospital ajudei a dar-lhe banho, o corpo parecia ripas de madeira penduradas na cobertura inconstante do céu, tempos depois morreu.


E às vezes acontece-me estar no meu jardim a desfrutar da paciência dos cigarros e vejo passar o tio Raúl agachado na sombra e com a cabeça coberta pelo envelhecido sobretudo, chamo-o e não me responde, apenas os ruídos do rádio a pilhas debaixo dos candeeiros,


E de castigo o parvalhão a limpar os castiçais…


31.07.11

É no silêncio do xisto


Que corre amarguradamente entre a montanha


É lindo que só visto


O diluir cintilante da abelha que apanha


 


O pólen encastrado nas pétalas em flor,


Os socalcos em cansaços quando na tardinha


O rio acorda de mau humor


E nas nuvens nasce a chuva miudinha,


 


Vem o vento


E leva o meu rabelo em convulsão


E sem tempo


Vejo o douro que encolhe na tua mão…


31.07.11

Sento-me e olho os plátanos,


Sobre a mesa a chávena e o pires, um copo com água mineral e o indispensável cinzeiro para depositar os cadáveres de cigarros envelhecidos em cinza, olhos os plátanos e puxo da máquina de escrever, coloco-lhe uma pétala de rosa e as teclas começam a engasgar-se-me nos dedos, poiso o cigarro no cinzeiro, coço a cabeça e fico na certeza que pouco cabelo sobre o meu céu desprovido de estrelas, e entre duas fumaradas recordo-me que há pouco tempo tesourei-o em pente quatro na barbearia do senhor António!, e começo a escrever sem perceber que uma palmeira me lambe a mão e um dos plátanos me acena como se eu fosse o vento,


A pétala de rosa engana-se e em vez de escrever tecto escreve teto, fico confuso, fico em silêncio, e recorro ao dicionário de bolso, a pétala tem razão, e segundo o novo acordo ortográfico tecto escreve-se teto, luanda perdeu o L maiúsculo e francisco está lixado com F grande, isto é, para não me criticarem de que só escrevo asneiras e que não sei escrever, e que não sei escrever tenho eu a certeza, quanto às asneiras, quanto às asneiras por vezes servem de defesa dos abutres de duas perninhas que proliferam por estas bandas de rios e de socalcos e de paisagens lindíssimas e de xisto e de miséria, é um facto que o douro é lindo, mas também é um facto de que alguns abutres de duas perninhas nunca deveriam ter cá poisado,


Se calhar também tu és um abutre de duas perninhas e também poisaste por estas bandas, diz a pétala enquanto eu retomo ao texto, e o teto do casebre qualquer dia some-se nas umbreiras das geadas de inverno, uma pausa para mudar de pétala e antes de continuar com a estória responder à provocação da pétala, E tens razão também eu poisei por estas bandas, e sabes, ela diz-me que não, nunca o meu pai devia ter vindo para esta terra, mas tu já podias ter ido embora há muito tempo, claro que já mas nunca tive coragem para tal, e porque não vais agora?, reconheço que ela tem razão mas por orgulho encolho os ombros e finjo que não ouvi,


O teto desliza suavemente pelas encostas encardidas do douro, o julho quase a morrer e do agosto nada de novo poderei esperar, a não ser que aconteça um milagre, mas como os milagres são apenas imaginação do ser humano, nada de bom vai acontecer, a pétala ofende-se e reclama que não, os milagres existem, e eu respondo-lhe porque não têm direito a milagres os animais, és parvo diz-me ela enquanto se debate com a tecla do R de acontecer, virgula, o tecto cansado como eu de olhar socalcos e de fome na algibeira, e uma árvore sentada à beira do casebre e que olha o rio, barcos passeiam-se de um lado para o outro, as pessoas acenam-lhe mas ela não lhes liga absolutamente nenhuma, os olhos desencontrados na locomotiva a diesel que qualquer dia deixa de atravessar o pinhão e fica-se apenas pela régua, a pétala explica-me que por motivos de contenção de despesas, e se fechasse-mos tudo o que não dá lucro neste país  chegava-mos à triste conclusão que tínhamos de encerrar a fronteira e colocar um letreiro na ardósia da tarde “ pedimos desculpa pelo incómodo, encerrados por motivos de não lucro “,


E voltando ao teto e de tanto esperar e olhar os plátanos e olhar os rios e olhar os socalcos e olhar as paisagens, pega na mochila e com meia dúzia de farrapos zarpa em direção desconhecida,


E muito mais tarde alguém descobre duas pétalas datilografadas à mesa de uma esplanada por um teto que de tanto esperar se cansou, ao lado repousa a velhinha máquina de escrever, um cinzeiro atulhado de beatas de cigarro, porque as outras andam por aí, e em desesperos uma chávena e um pires e um copo…


30.07.11

A força cansa-se no finíssimo cacimbo


De luanda


E os meus braços começam a evaporar-se na avenida


Nua e crua junto à baía


O vento sopra e com ele vem o invisível perfume da madrugada


E uma manga desprende-se do céu,


 


O mar vem até mim e entra-me pela algibeira


O velhote barco enferrujado ancora nas poucas moedas


E o sol prende-se ao infinito


Um miúdo grita-me,


 


Uma gaivota alicerça-se nos meus lábios


E na chuva miudinha da tarde


A terra em mergulhos no capim


E some-se-me dos dedos…


 


Procuro os cigarros agachados entre as madeixas do meu cabelo


E no meu corpo ergue-se uma nuvem e das lagrimas de cera


Acende-se a manhã


E quando os ponteiros do relógio caminham para a noite


O musseque que brilha no zinco do amanhecer


Funde-se nos meus olhos,


 


E percebo que o meu destino…


Ver o dia caminhar na solidão das minhas mãos


Viver miseravelmente miserável…


E ser covarde.


30.07.11

Não vás mesa-de-cabeceira


Deste quarto assombrado


Nos lençóis a ribeira


E na janela o cortinado,


 


Não me deixes oh espelho do futuro


Que abraça o guarda-fato amargurado


O soalho é duro


E na parede o crucifixo pregado,


 


A sagrada família em teimosia


É o pai é o filho e o espirito santo abençoado


E é a minha mania


 


De acreditar que sou poeta escritor,


Mas sou um verme cansado


Sou estrume de flor…


30.07.11

A voz cansada na dobra da ribeira


E da flor espancada sob a miséria do nada


Um petroleiro à minha beira


Em socorro da alvorada,


 


Da voz o suor da doença


Quando engasgada na manhã estilhaçada


No corpo a pele fina da nascença


Do corpo o silício da calçada,


 


As amoreiras em flor


E as pedras abraçadas


E o rio em amor,


 


Os teus braços suspenso em mim


Quando as nuvens esmigalhadas


Escondem as árvores do jardim.


29.07.11

Diário de bordo,


 


A carcaça enferrujada a aproximar-se dos plátanos e de boca aberta de espanto cintila na sombra das roulottes do circo ambulante, trapezistas, malabaristas, palhaços, e de tudo o mais, tudo a que estamos habituados a assistir nos dias tranquilos da ilha, e feras indomáveis com pelo de caracol penteado de adamastor quando o vento incorre pela montanha e desagua no número treze da avenida principal, e sua excelência EL Rei passeia-se no seu majestoso equídeo de pele cinzenta e dentes de marfim, e fazendo uma pequeníssima interrupção para explicar que pelo e pêlo são a mesma treta e portanto não se assustem com os erros de ortografia, El Rei passeia-se pelo burgo na companhia de duas damas de honor e três carneiros de estimação, e quatro caninos rafeiros e que às vezes espetam os dentes em ossos alheios,


Os filhos governados e dos netos que ainda não nasceram o futuro sorri-lhes como lamparinas de azeite na capela do monte,


Dizem que a caravana passa e os cães ladram, mas vai-se lá saber porquê e tal como às vezes andam porcos a voar, a caravana pode-se atolar no lodo do rio e os cães atacam, começam pelos tornozelos e terminam nas orelhas, diga-se que alguns deles nem as orelhas se lhes aproveitam, tal como as minhas, pontiagudas e a caminharem para a esplanada do silêncio onde poisa uma tulipa encardida e solitária,


Não liguem porque já tenho a fama de maluco, conceituado e diplomado e com certificação de internamento, e antes de começarmos o grandioso e famosíssimo espetáculo alguma coisa tenho de escrever para entreter o afamado público enquanto a trapezista disfarça as varizes e os palhaços colocam um penico de madeira na cabeça,


A barcaça enferrujada aproxima-se do cais dilacerante e coberto de madeixas encarnadas, os umbigos fintam-se nas folhas de papel espalhadas pelo chão que alguns lambem desafogadamente e brilhantemente e tudo que termine em ente, clemência senhor grita o público encerado pelos candeeiros convexos dos pardais, e eu respondo prontamente que só se for clemente e que clemência não rima com ente, alguém diz que serve detergente, claro que sim, e gente, e mente, e dormente…, eu sei, eu sei, podia ser ausente, e quero lá saber se El Rei está ou não presente,


Finalmente a trapezista sem varizes e os palhaços com rolhas de cortiça nos ouvidos para não distinguirem os berros dos aplausos, EL Rei surge sossegadamente suspenso numa das mamas da trapezista, e alguém não identificado do público borbulha na noite, O cabrão consegui, o cabrão conseguiu…


A carcaça enferrujada a aproximar-se dos plátanos e de boca aberta de espanto cintila na sombra das roulottes do circo ambulante e uma finíssima manta de neblina deita-se sobre a invisível cobertura do circo, o soalho pula pelas frestas das pouquíssimas moedas atiradas para o púbis da trapezista, e a trapezista desiste de sorrir; adormece profundamente nos braços de EL Rei todo-poderoso e senhor benfeitor do burgo.


A ilha transpira e dilata-se nas sobrancelhas do equino que mastiga pastinha elástica, uma buzina acorda da noite e um homem de barbas pelos joelhos cospe fogo e engole garrafões de azeite, e sua majestade ajoelha-se e pede perdão aos cidadãos do burgo encalhado no oceano de pedras e calhaus e de carqueja dormente e com reumatismo.


 


(este texto é de ficção e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência e especulação)


29.07.11

A princesa menina


Que desce a calçada


Perde-se na rima


E arrima uma pedrada,


 


Parte a cabeça ao menino


E o vidro da janela


Ai menina ai menina sem destino


Ai menina donzela,


 


E veio o vento


E nas sandálias cresceram-lhe girassóis


Nos lábios acorda-se-lhe o encanto,


 


Ai menina da Vila Alice


Que procura nos lençóis


As memórias da meninice.


29.07.11

O erguer-se na manhã, olhar-se no espelho e o medo ao cadáver suspenso nas lágrimas do guarda-fato,


Em corrida para a casa de banho e esconder-se na banheira, prepara o banho para desinfetar a pele das teias de aranha da noite, a água escorre lentamente contra os azulejos, o estômago em roncos de desperdício à espera do pequeno-almoço, e com sorte hoje pequeno-almoço, e falando de sorte recorda-se-lhe a infância quando se escondia no capim encharcado da tarde, olhava o céu e pedia um desejo,


- Quero voar,


E nunca voou, dei com ele esquecido sobre o guarda-fato e embrulhado em pedaços de lençol envelhecido no linho do tempo, anos, anos e anos e que eu saiba os voos dele resumem-se a idas à casa de banho, um líquido escuro subtrai-se-lhe da boca e ancora no silêncio da sanita, puxa o autoclismo e as nuvens entram-lhe pela janela, couves do quintal na porta de entrada, pessegueiros esganiçados na espera e os pássaros nãos os querem comer, as pedras atiradas aos cornos das cabras, e o farrusco que se extingue de osso na boca,


- Duzentos e seis ossos alinhados numa rua de luanda, contava-me ele,


O banho que finge alimentar-se das teias de aranha e estas continuam agarradas ao corpo como se fossem sanguessugas, os dentes calibrados na máquina de costura, a velhinha Singer com um pano de cetim preso na boca, duas voltas circunflexas na eira e o osso desparecia na sombra do farrusco, abria a porta e as couves tombadas na fome da sanzala,


- Olhava o mar e agarrava-me de braços acorrentados no pescoço da minha mãe, e gritava,


E ninguém o ouvia, nem barcos, nem ondas, nem o Mussulo, nem a estátua da Maria da Fonte, os aviões escapuliam-se pelas folhas das mangueiras como gaivotas envenenadas pela solidão dos dias, e a tarde descia no cacimbo dos mabecos,


- Deitava-me no chão fino da terra e amêndoas de chocolate cobriam-me os braços, as formigas vinham em meu socorro, e a saliva prendia-se-me na areia da rua,


A fome engelha-lhe as mãos e os braços e os olhos, as côdeas de pão minguam junto ao rio e os socalcos nas vibrações inconstantes do cheiro a diesel de barcos de recreio e comboios a vapor, a água evapora-se nos seios de vinhedos e quando chega ao púbis da vindima o mosto de girassol entranha-se no xisto embaciado da noite, uma luz acende-se na capela encalhada na montanha, um terço sorri à passagem de uma trovoada, e o esforço do ano árduo de trabalho dilatado nas cómodas apodrecidas do capitão marinheiro sem barco, deitado na banheira na esperança que do musseque venha até ele um papagaio de papel,


- Nem um cacho para amostra,


Durante a noite corre lentamente o lençol das horas, ergue a cabeça no sentido da janela, e repentinamente e em corridas cansadas faz-se à pista, desliza sobre o guarda-fato e pensando que a janela está aberta estatela-se contra os vidros espessos de garrafa que apodrece no vidão, o vinho derrama-se sobre a cama e no soalho espreita uma lagartixa ensonada, o crocodilo em madeira que trouxe de angola em guarda no hall de entrada, e o mar começa a distinguir-se no prato de sopa abandonado na mesinha-de-cabeceira, e ao longe um petroleiro acena-lhe e diz-lhe,


- Chegamos a lisboa,


A ponte amarra-se no candeeiro que saltita de rua em rua, o machimbombo desgovernado sobe as escadas até ao sótão onde deitado se distingue o musseque em coberturas de zinco, e o sol come-os em fatias de pão e alicerces de mandioca, os charcos de água incham e o petroleiro camuflado nas árvores do jardim engasga-se nos pêssegos e no machimbombo; vem a noite e acendem-se as luzes da fome.


29.07.11

Em sua mão de seda escarlate


Poisa a gaivota atrevida


Mistura-se o céu com chocolate


E esconde-se o mar com vida,


 


Brincam peixes na calçada


Descem a rua sem sentido


Corre a nuvem na alvorada


Até ao rio esquecido,


 


É triste ser mendigo


E vaguear junto às arvores esfomeadas,


É triste não ter porto de abrigo


 


Um cais para atracar,


Em suas mãos cansadas


Nascem pétalas que olham o mar.

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