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Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...

Cachimbo de Água

Blog de Francisco Luís Fontinha; poeta, escritor, pintor...


26.02.24

Pedra-vento, serra-lima a árvore que corre para o mar

Pedra-peixe, alga mineral dentro de um copo invisível

A montanha é só água

É só lama num caderno diário

Os poemas são flores

São pequenos charcos

São versos com cinco dedos

São mãos com oito pétalas de dor

Pedra-vento,

Pedra-peixe,

Beijo-flor.

 

A ponte que eu utilizava para atravessar a rua

Está constipada

Está sentada junto à muralha

E hoje

Não trabalha

E hoje

Tem pequenas lágrimas de limalha.

 

O aço corre e o aço inventa o silêncio

O pico abraça-se ao rochedo

Que num grama de pobreza

Não é pássaro

Nem é flauta

Nem memorando

Para coisa alguma.

 

A pedra-vento lança o vento

E o vento é uma cápsula hermeticamente fechada

Tem uma janela circular

Com o raio de vinte e cinco milímetros

E de área

Alguns estilhaços.

 

Pobres palhaços

Que ao pequeno-almoço comem migalhas de sono

E bebem um pouco de cicuta,

 

E não morrem não

Porque um palhaço nunca morre de fome.

 

Ser útil ou não o ser

Ser pedra-vento,

Ser pedra-peixe,

Ser

Ser

Ser

 

Um violino de sono

Na sinfonia da insónia.

 

 

26/02/2024


25.02.24

Meu amor

Há em ti uma silenciada madrugada

Que hoje não acordou,

Há em ti uma palavra

Proibida, meu amor

 

Há em ti, meu amor

O que não tenho e o que nunca terei

Talvez seja uma carta

Talvez seja um sonho que sonhei

Mas sabes meu amor, já não tenho medo de amar

 

Já não tenho medo de gritar

Há em ti um livro de poesia

Que não me canso de ler

De ler a cada novo dia

De ler, meu amor

 

E gosto tanto de o ler, meu amor

E gosto tanto de ti…

Há em ti, meu amor

Há em ti

Meu amor, o mar nos teus olhos

 

Há em ti, meu amor, na tua mão

O jardim mais belo da poesia

Há em ti um sorriso de luar

Que não sabia

Que em ti há o mar.

 

 

25/02/2024


24.02.24

Acredito

Acredito que um dia a minha tristeza

Vai ser alegria,

Acredito

Acredito que um dia os teus olhos

Vão beijar os meus olhos,

Acredito

Acredito que um dia os teus lábios

Vão entrelaçar a mão na mão dos meus lábios,

Acredito

Acredito que um dia o teu cabelo

Vai poisar no meu peito

E escutar o meu coração,

Acredito

Acredito que um dia vou terminar esta disciplina (OI)

E ser engenheiro,

Acredito

Acredito que um dia

Vou ter pão e dinheiro,

Porque acredito,

Porque não desisto de acreditar.

 

 

(OBRIGADO)

 

 

24/02/2024


23.02.24

Hoje, no calor do teu sorriso

Que este Inverno desenha

Que não tem juízo

Que não tem façanha,

 

Destes perdidos poemas

Sabendo que lá fora está frio e triste está o dia

Que as tuas flores são temas

Para a minha poesia,

 

Hoje, na alegria do teu olhar

Há uma palavra

A palavra Amar

Que o teu cabelo lavra,

 

Hoje, este livro não se vai cansar de escrever

De te cantar

Enquanto a lua tem nas mãos o saber

E nos lábios tem o mar.

 

23/02/2024


22.02.24

não esperes muito de mim

sou tímido, sou medroso, tenho medo

muito medo,

 

de amar.

 

não esperes muito de mim

não me dês de comer

de beber,

 

ando bem assim.

 

não esperes muito de mim

e foge do meu sonhar,

nem sempre o sol está no meu jardim,

nem sempre a minha lua tem luar.

 

 

22/02/2024

Lua


20.02.24

Há um sítio secreto

Nos braços da lua,

Onde me escondo, durante a noite.

 

Há um sítio secreto

Nos lábios da lua,

Que beijo, durante a noite.

 

Há um sítio secreto

No cabelo da lua,

Onde escondo os meus poemas, durante a noite,

E tenho medo de lhe tocar,

E tenho medo de o afagar.

 

20/02/2024

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